domingo, agosto 27, 2006

Uma citação que reflete um pouco me mim mesmo nesse momento.

De todas as que me beijaram,
De todas que me abraçaram,
Já não me lembro, nem sei!
São tantas as que me amaram,
São tantas as que amei!
Mas tu, que rude contraste,
Tu, que jamais me beijastes,
Tu, que jamais abracei,
Só tu nesta alma ficastes,
De todas as que amei.

Paulo Setubal

Meia Hora

Tudo passa em meia hora.
No Maracanã, no Pacaembú, na Libertadores.
Estamos sem soldados para uma luta justa e marginal.
Num mundo em que o vil é o que se vê.
Zumbis e vampiros rindo da própria miséria.
Grunindo palavras sem sentido em nome de Deus.
Se eu não colaborar vou para o inferno.
Ninguém sequer sabe que a dor eterna deixa de ser dor.
Pesoas de idéias pequenas, com literatura barata, sangrenta e pop.
Tudo na moda. Violência, morte, roubo, é normal, cotidiano, legal.
Notícias de rodapé de página. O DVD está R$ 299,00, divido no carnê e fico realizado.
E tudo passa em meia hora.
Da Saes Peña a Siqueira Campos.
Massa humana em caravana para mais um dia de prostituição.
E tudo passa em meia hora.
Meia hora de uma realidade imutável dentro da minha própria.
E tudo passa em meia hora.
Humanos penados, com pena e despenados. Massa desperdiçada, assim como a minha.
E tudo passa em meia hora.
Estamos sem dente, sem emprego, sem dignidade. Mas ainda temos muito axé graças à Deus.
E tudo passa em meia hora.
Uma bofetada e um fá sustenido e eu acordo de meus sonhos e entro em acordo com a realidade.
Estamos sem soldados para a causa marginal.
E o metrô das 18:00 h vai tão cheio...
Desembarque pelo lado direito.

CL